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O significado e origem do topónimo "Lamego" encontra-se envolto em várias dúvidas e tem levantado várias intepretações. O termo parece derivar do termo latino "lamaecus", de significado obscuro. Do mesmo modo, a origem da fundação da cidade de Lamego tem dado azo a várias suposições, no entanto, a maioria delas são apenas opiniões isoladas, sem fundo documental; assim, segundo alguns autores, o povoamento original teria sido greco-celta, num local diferente de onde actualmente se encontra a cidade, assumindo por essa altura o nome de "Laconimurgi"; outros no entanto defendem que a primitiva cidade teria sido erguida nos actuais lugares de Queimada e Queimadela (em Armamar) e teria sido incendiada e arrasada por Trajano, contra quem a cidade se revoltara. Por certo, parece seguro afirmar que Lamego surgiu por reunião de várias aldeias das imediações. Com efeito, as estâncias arqueológicas, proto-históricas e lusitanas, são abundantes nos montes que rodeiam a velha cidade e é sem sombra de dúvida ao povo que habitou esses castros que se deve a fundação da mesma, sendo que o próprio castelo de Lamego parece ter sido alicerçado sobre um desses castros.
Durante o domínio visigótico foi uma cidade bastante importante, nomeadamente durante o reinado de Sisebuto que chegou aqui a cunhar a sua moeda. Em 570 era sede de diocese, com Sardinário como bispo. A diocese de Lamego, que era por essa altura sufragânea de Braga, passou então a reconhecer Mérida como metrópole. A conquista de Lamego pelos árabes que a denominaram "Lamico", teve pouco tempo de calma, sendo que Lamego passa a sofrer com as constantes conquistas e reconquistas dos árabes e dos cristãos. O árabe Almançor, em 987 e 997, devasta a cidade e nela se estabelece um "váli", que só aparentemente depende do califado de Córdova. Aqui surge a lenda de Ardinga, a princesa moura assassinada pelo seu pai devido ao seu amor por um cavaleiro cristão. A cidade foi definitivamente reconquistada aos mouros em 1057 por Fernando Magno que chacinou grande parte da população árabe e a outra parte obrigou aos trabalhos de reconstrução de edifícios e templos adaptando-os ao rito cristão. O alcaide mouro de Lamego, chamado Echa tomou o baptismo e adoptou então o nome de Echa Martim; D. Fernando, vendo-o fiel e cristão, deixou-lhe o governo da terra lamecense, sujeito a D. Sisnando. Ainda sob a autoridade do Conde Sisnando, são tenentes de Lamego, sucessivamente: Egas Erminges, Múrio Viegas, Afonso Peres, Martim Moniz, Egas Gosendes e Egas Moniz. A tenência de Lamego estendia-se ao Sul do rio Douro, entre os rios Paiva e Távora. Egas Moniz estabeleceu residência em Britiande, junto à cidade, e aí procedeu a uma grande obra de repovoamento por todo o Ribadouro, que pode dizer-se era quase todo de seu senhorio. Em 1191, D. Sancho concede carta da couto a Lamego. Falecido Egas Moniz, é tenente de Lamego o seu filho D. Soeiro Viegas, a quem sucede o seu filho D. Lourenço Soares; a partir de 1222, é tenente D. Gonçalo Mendes; posteriormente D. Abril Peres, o Infante D. Afonso, D. Diogo Lobo e D. João Garcia.
Nas discórdias entre D. Dinis e seu filho, a cidade seguiu o partido do Infante D. Afonso que em 1324 aqui se encontrava a organizar a rebelião quando D. Dinis lhe enviou o seu clérigo, António Martins, com uma carta em que lhe aconselhava obediência; o infante ordenou que o enviado de el-rei fosse posto fora de muros da cidade. | Página: 1 de 2 | |  | |
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